Comunicação não-verbal

A influência da indumentária e da gesticulação na credibilidade do comunicador.

 

Abstract – This article has as its subject the non-verbal communication. The main objective is to check the credibility of the communicator with the receptor is influenced by the costumes and gestures. In this sense, we have developed a 2×2 factorial design of independent groups, where four independent groups to submit four different treatments in order to ascertain to what extent the independent variables influenced the dependent (credibility). After applying the statistical tools, we conclude that: a gesture accompanied by a slow casual attire creates a neutral effect on the credibility of the communicator, the sudden gestures coupled with an informal dress gives a negative effect, in turn, accompanied by a slow gesture a formal dress has a positive effect in terms of credibility, and finally the abrupt gestures coupled with a formal dress generates a neutral effect.

Keywords: Non-verbal communication, Clothes, Gestures, credibility of the communicator.

 

1. Introdução e revisão da literatura

A comunicação não-verbal tem exercido fascínio sobre a Humanidade desde os seus primórdios, uma vez que envolve todas as manifestações corporais que não são expressas por palavras como a gesticulação, as expressões faciais, as posturas, as distâncias entre as pessoas, o odor, o tacto, os elementos paralinguísticos da voz, a indumentária, etc.. Para além de exercer uma função comunicativa, enriquecendo a linguagem verbal, também transmite informações acerca da personalidade, gostos, emoções  e atitudes do indivíduo. As palavras podem ser  bonitas e excitantes, no entanto, não representam a mensagem total. Na verdade, segundo Davis (1979), a palavra é aquilo que o homem usa quando tudo o resto falha. De entre todos os instrumentos de comunicação não-verbal, este estudo tem como objectivo estudar apenas dois: a indumentária e a gesticulação. Como indica Lemos (2006), a indumentária é qualquer coisa que se veste e que pode ser completamente interpretada. Na nossa perspectiva, convém não confundir a indumentária com o vestuário, apesar de ambos os conceitos se interrelacionarem, porém não possuem o mesmo significado, dado que a indumentária é um conceito mais abrangente que incorpora o próprio vestuário. A indumentária é um meio de comunicação que comunica o indivíduo à sociedade e que traduz a sua maneira de viver no plano individual e social.

A gestualidade, para além de exercer um papel significativo na estruturação do discurso oral, também actua como um elemento constituinte da interacção, podendo designar de modo simbólico a posição de cada um no sistema social – prestígio, status, ordem, privilégio, consideração, entre outros Fávero et al (2002). Assim sendo, tanto a indumentária como a gesticulação determinam, em grande medida, o grau de aprovação e aceitação do comunicador por parte do interlocutor, actuando, assim, como dois componentes essenciais para a conquista e reconhecimento da tão ambicionada credibilidade.

 

1.1. Indumentária

Desde há milhares de anos que a primeira linguagem usada pelos seres humanos para comunicar tem sido a indumentária. Para além de exercer uma função especificamente protectora, a indumentária carrega signos, significados e transporta uma informação. Muitas das vezes, as pessoas fazem leituras umas das outras mediante aquilo que elas vestem, sem sequer pronunciarem qualquer palavra. O vestuário das pessoas envia mensagens durante a interacção social. Dá indicações acerca do sexo, idade, actividade, situando até mesmo o indivíduo no tempo e no espaço. Por outro lado, a indumentária revela a subjectividade do ser humano, nomeadamente os seus gostos, preferências, hábitos, humor, fantasias, desejos, bem como o seu grau de religiosidade, independência e originalidade. Podemos mesmo dizer que, a roupa é a verbalização subjectiva dos nossos pensamentos e atitudes. Como salienta Camargo (2009), a indumentária são significantes sociais e comunicacionais, através dela consumimos hábitos, valores e expressamos ideias, atitudes que, às vezes, palavras não conseguem descrever. O próprio vestuário também define os grupos profissionais como soldados, religiosos, académicos, advogados, agricultores, operários, etc. Não obstante, e tendo em conta que a aparência é o primeiro estágio da interacção podemos facilmente depreender que a indumentária do indivíduo vai determinar a primeira impressão e avaliação que fazemos do outro. Na realidade, o vestuário gera influência. Estudos realizados por Forteberry, Maclean, Morris e O’Connell demonstraram que as pessoas que se vestem com elevado grau de formalidade e que, por sua vez, demonstram um status mais alto, são mais persuasivas do que aquelas que optam por uma indumentária informal.

 

1.2. Gesticulação

A gesticulação tem atraído a atenção de inúmeros estudiosos ao longo dos séculos. Segundo McNeil (1992), os gestos são movimentos corporais, visíveis e voluntários, realizados pelo ser humano, através dos quais transmitem um determinado significado. Noutros termos podemos dizer que os gestos são movimentos que, de forma consciente ou inconsciente, o falante realiza com uma ou mais partes do corpo, nomeadamente com a cabeça, o rosto (incluindo o olhar), ou as extremidades, tanto superiores como inferiores. De realçar os gestos das mãos que, no âmbito gestual, desempenham funções claramente ostensivas. Na obra de Orellana (2006), Mancera divide os gestos em dois grandes grupos: 1) gestos faciais –  aqueles que se realizam com os olhos, as sobrancelhas, o queixo, o nariz, os lábios e a boca; 2) gestos corporais – aqueles que se realizam principalmente com a cabeça, os braços, as pernas, os pés, as mãos e os dedos.

Os gestos são uma forma de linguagem que na comunicação podem desempenhar diversas funções, chegando, por vezes, a serem mais eficazes do que qualquer palavra que possamos eventualmente usar. Eles podem ser usados para ilustrar ou reforçar a mensagem verbal, esclarecendo o seu significado. A título de exemplo temos o recurso a gestos direccionais no sentido de complementar a expressão verbal. Segundo Adam Kendon, os gestos participam na construção de sentido do enunciado. Muitas das vezes as palavras faladas são ambíguas e aquilo que o falante quer dizer com as palavras ou frases visadas só se torna claro quando elas são definidas num contexto mais amplo. Neste sentido, os gestos podem fornecer o contexto para a expressão oral através de uma representação cénico-visual, fazendo com que o enunciado oral seja mais preciso. Por outro lado, os gestos podem ser usados como marcadores da atitude do falante em relação ao que se está a dizer, nomeadamente, para expressar as suas atitudes acerca de como se espera que aquilo que se está a dizer seja interpretado pelo interlocutor. Deste modo, os gestos acabam por expressar a natureza da intenção ilocucionária do enunciado, adicionando significado à mensagem falada.

Segundo McNeil (1992), os gestos possuem determinadas propriedades, que importa salientar:

a)       É global. O gesto não deve ser interpretado isoladamente dos restantes.

b)      É sintético. Um simples encolher de ombros pode ser mais falante do que uma torrente de palavras.

c)       Não se combina. Os gestos não se combinam para criar estruturas e formas largas e hierárquicas, pois carecem de uma sintaxe.

d)      É sensível ao contexto. Cada gesto é criado no momento da fala e salienta ou destaca o que é relevante naquilo que é dito, no entanto, a mesma ideia pode ser referida por um gesto que pode mudar o seu significado.

e)       É rítmico. Os gestos estão integrados no aparato linguístico.

Uma outra propriedade que não foi considerada por McNeil mas que pode ser muito relevante é a variação cultural, pois o gesto também é sensível à cultura. Por exemplo, como sabemos o dedo indicador é usado vulgarmente para apontar para uma determinada direcção, contudo, noutras culturas o gesto de apontar o dedo pode ser considerado inapropriado e invulgar Calero (2005).

1.3. Credibilidade do comunicador

A credibilidade do comunicador é considerada um factor determinante da maior ou menor eficácia comunicativa. Na sua ausência, um emissor dificilmente conseguirá obter a atenção que deseja por parte dos seus interlocutores. Definir credibilidade não é uma tarefa fácil e nem sempre nos podemos referir à credibilidade como um constructo único e directo. De acordo com Losada (2007) e Armand Balsebre, a credibilidade é definida como a confiança que um deposita no outro, a partir da qual se procede a um acto de fé: crê-se naquilo que o emissor diz, na sua palavra. Schtrumpf, numa recente enciclopédia de retórica, segue na mesma direcção e refere que a credibilidade é a impressão de fiabilidade que um orador, ou os argumentos que ele ou ela usa, deixa no auditório Serra e Ferreira (2008).

Independentemente das visões de cada autor, na generalidade todos eles definem a credibilidade de uma forma idêntica. O termo confiança, ora implícita ora explicitamente, é a palavra-chave das suas afirmações. A credibilidade é, assim, um processo que se constrói progressivamente, não sendo possível a sua criação. É algo que comunicador tem que conquistar, nunca é um dado estabelecido à priori. Deste modo, e tendo em linha de conta que a credibilidade é um constructo, antes de se instalar definitivamente, ela interage com outros factores que compartilham a sua construção. Segundo Morera (2004), são as manifestações não-verbais – tipo de vestuário, movimentos do corpo, olhares, odores, tipologias da cara e do corpo – que geram a credibilidade necessária como emissor de uma mensagem. Por outro lado, o próprio tom de voz também é muito relevante na percepção de credibilidade por parte do receptor. Neste sentido, Prud´Home (2004) refere que uma fonte que fala rápido, com uma intensidade e tom alto é mais credível. Um tom de voz elevado demonstra a experiência do comunicador, a sua autenticidade, a sua sinceridade e conforto. Na sua percepção, as fontes que perdem a calma, ou estão demasiado nervosas, tendem a ser menos credíveis. A empatia também é responsável pelo processo de construção da credibilidade do comunicador, tendo em linha de conta que o público está mais inclinado a ouvir uma pessoa gentil e amigável. Os estudos de Chaiken (1980) e Petty et al (1981) constataram que o público gasta muito pouco tempo a pensar sobre os argumentos, sendo, simplesmente, mais influenciado pela sua simpatia para com a fonte Prud´Home (2004). Ou seja, as fontes que são percepcionadas como simpáticas e amigáveis tornam-se mais credíveis. Segundo Morera (2004), o carácter, a disponibilidade, o uso de signos que o receptor entenda, bem como a sinceridade também são determinantes na construção da credibilidade. Como podemos constatar, são inúmeras as manifestações não-verbais responsáveis pela construção da credibilidade do comunicador. Existem certos comportamentos não-verbais que podem gerar uma atribuição de competência, confiança, dinamismo, seriedade, enquanto que outros podem gerar efeitos negativos e, em consequência, afectar de alguma maneira a credibilidade do comunicador. A título de exemplo temos as manifestações não-verbais que estão sistematicamente associadas à comunicação enganosa, portanto, à mentira. Segundo López e de acordo com Ekman (1989), as expressões faciais, os movimentos do corpo, as pausas, o evitar do olhar, os tropeços, os maneirismos e a conduta verbal (acelerar os movimentos das mãos enquanto se eleva o tom de voz) podem ser alguns indicadores precisos para detectar a mentira.

2. Procedimentos metodológicos

A comunicação não-verbal tem sido um tema frequente desde sempre, mas não necessariamente para os cientistas. Segundo Maciel (2002), somente a partir do século XX é que esta temática despertou o interesse da comunidade científica e psicólogos, antropólogos, linguistas, comunicólogos, começando então a pesquisar relativamente a tudo no que diz respeito ao conhecimento da expressividade corporal.

 

De entre os inúmeros ingredientes de comunicação não-verbal, a indumentária e a gesticulação são dois deles extremamente expressivos. No entanto, apesar dos estudos realizados nesta área de conhecimento ainda há muito por desvendar e validar. Neste estudo, tentamos verificar se a indumentária e a gesticulação influenciam a credibilidade do comunicador. Ou seja, se os estímulos – que envolvem indumentária e gesticulação – conferem, ou não, credibilidade ao comunicador na óptica dos interlocutores. As quatro hipóteses que pretendemos verificar mediante uma metodologia experimental são:

H1) A gestualidade lenta acompanhada de uma indumentária informal tem um efeito neutro na credibilidade do comunicador;

H2) A gestualidade brusca acompanhada de uma indumentária informal tem um efeito negativo na credibilidade do comunicador;

H3) A gestualidade lenta acompanhada de uma indumentária formal tem um efeito positivo na credibilidade do comunicador;

H4) A gestualidade brusca acompanhada de uma indumentária formal tem um efeito neutro na credibilidade do comunicador.

No sentido de contrastar as hipóteses de investigação, desenvolvemos um desenho factorial 2×2 grupos independentes com aleatorização completa. O experimento manipula duas variáveis independentes (a indumentária e a gesticulação) com dois níveis de tratamento cada uma. No âmbito do factor indumentária, consideramos os estímulos formalidade e informalidade; relativamente à gesticulação a natureza do estímulo varia entre lento e brusco. Assim, para cada variável independente manipulamos dois níveis experimentais, dando origem a quatro tratamentos experimentais diferentes (duas variáveis independes x dois níveis de variação).

Para estudar a relação entre variáveis dependentes e independentes não é necessária uma amostra representativa do universo mas sim garantir a homogeneidade dos indivíduos. Neste sentido, e de forma a garantir tal homogeneidade, consideramos variáveis de controlo relativamente ao sujeito (sexo, idade, instrução académica, estado das condições visuais e auditivas bem como a familiaridade com situações de apresentação pública) ao contexto (o mesmo ambiente em todas as situações experimentais) e ao procedimento (aleatorização completa). Este conjunto de variáveis de controlo, para além de assegurar a equivalência entre os grupos experimentais, também ajuda a controlar as variáveis estranhas que são desconhecidas pelo investigador.

Foram assim constituídos quatro grupos experimentais independentes formados por 10 sujeitos cada um, em que cada grupo experimental recebe um único tratamento e em que cada sujeito participante realiza a experiência apenas uma única vez. Os tratamentos experimentais considerados e aleatorizados são:

  • 10 sujeitos foram submetidos a uma gestualidade lenta acompanhada de uma indumentária informal (Grupo1);
  • 10 sujeitos foram submetidos a uma gestualidade brusca acompanhada de uma indumentária informal (Grupo 2);
  • 10 sujeitos foram submetidos a uma gestualidade lenta acompanhada de uma indumentária formal (Grupo 3);
  • 10 sujeitos foram submetidos a uma gestualidade brusca acompanhada de uma indumentária formal (Grupo 4);

A amostra do estudo foi formada por alunos do Curso de Ciências da Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real, Portugal). O principal motivo da sua selecção foi a familiaridade com situações de apresentação em público, um aspecto importante a ter em conta, uma vez que o experimento é realizado num cenário idêntico. Neste sentido, foi seleccionado um professor de teatro onde, na apresentação de um discurso, representou, de forma o mais rigorosa possível, estes tratamentos.

Após a prova experimental, os alunos foram submetidos a um teste de verificação da credibilidade formada pela autonomia das variáveis independentes. Aqui, os sujeitos participantes foram apenas informados que iriam participar num estudo, desconhecendo por completo o seu objectivo ‐ aprendizagem acidental. Este teste foi efectuado mediante um instrumento de recolha de dados de perguntas fechadas com escalas do tipo diferencial semântico. Este instrumento é formado por quatro questões, cujas respostas permitem a verificação das hipóteses de trabalho. As questões assentam na utilização de escalas bipolares, onde foi solicitado aos participantes que, do conjunto de adjectivos opostos, assinalassem um grau (entre 3 e -3) correspondente a um diferencial semântico de sete possibilidades de resposta, em que os valores 1, 2 e 3 representam atitudes favoráveis, 0 é o ponto neutro e as pontuações -1, -2, -3 indicam atitudes desfavoráveis. As questões iniciais são de carácter demográfico e visam apurar o género, idade, o curso e o ano que os alunos frequentam na UTAD. As restantes questões são do tipo diferencial semântico.

A questão um é constituída por 10 pares de adjectivos opostos e visa aferir as atitudes dos sujeitos em relação à indumentária. A questão dois é constituída por 14 pares de adjectivos bipolares e tem como objectivo aferir as atitudes dos participantes em relação à gesticulação. Por sua vez, as questões três e quatro têm como objectivo aferir as atitudes dos participantes relativamente à imagem transmitida tanto pela indumentária (questão três, constituída por 13 pares de adjectivos), como pela gesticulação (questão quatro, constituída por 12 pares de adjectivos).

Através de uma análise individual e conjunta das variáveis, poderemos verificar em que medida estas influenciam e determinam a credibilidade do comunicador. O somatório das pontuações do sujeito experimental permite-nos averiguar o valor individual das suas apreciações entrando em linha de conta com os níveis apriorísticos da combinatória das variáveis independentes a que foi submetido em contexto experimental. Por sua vez, a banda de variação das pontuações colectivas permite conformar um valor holístico por grupo experimental, que nos vai permitir distinguir o valor da combinatória dos níveis das variáveis independentes (às quais foram submetidas os diferentes grupos experimentais).

 

3. Resultados

Uma vez recolhidos, os dados foram submetidos a tratamentos estatísticos com o intuito de dar respostas às questões de investigação. Neste sentido, utilizamos a estatística descritiva, nomeadamente a distribuição de frequências (absolutas e relativas) bem como medidas de tendência central (média).

 

3.1. Grupos independentes

No Grupo 1, os valores médios de atitudes mais elevados em relação à indumentária registaram-se nos pares de adjectivos Rígida versus Flexível e Perfeccionista versus Improvisada, com médias totais de -2,3 e -2,1 respectivamente. Isto significa que a maioria dos sujeitos experimentais considera que a indumentária informal é, consideravelmente, improvisada e flexível. A seguir, aparecem os pares de adjectivos Profissional versus Amadora e Expressiva versus Irrelevante, com médias de -1,8 e -1,6. De constatar ainda que, de entre os 10 pares de adjectivos, nove deles obtiveram uma pontuação negativa, com excepção do par Moderna versus Tradicional, com uma pontuação média de 0.5 A gesticulação no Grupo 1 foi classificada por Discreta, com uma média total de 2,3; Moderada, com uma média de 2,2; e Compreensível e Segura, com médias de 2. Na globalidade as atitudes dos sujeitos em relação à gesticulação foram positivas, registando-se apenas quatro pares de adjectivos com uma média total neutra, nomeadamente os pares: Condescendente versus Intransigente; Informativa versus Objectiva; Explicativa versus Genérica e Enfática versus Não-enfática. Não obstante, a pontuação neutra nestes mesmos pares de adjectivos pode ser relevante, podendo indicar que, embora a gestualidade tenha sido lenta, ela não foi suficientemente enriquecedora e expressiva. Dito de outra forma, a combinatória dos níveis de variação das variáveis (indumentária informal acompanhada de gesticulação lenta) não gerou uma influência significativa. A imagem transmitida pela indumentária neste grupo foi visivelmente negativa, embora existam evidências ao nível da Descontracção (obteve uma média total de -2,4) e da Jovialidade (apresentou uma média de -2,3). Numa 3ª posição temos a Flexibilidade, que evidenciou uma média de 2. Como podemos constatar, a indumentária informal é uma realidade flexível e versátil. Ao contrário da indumentária, a gesticulação transmitiu uma imagem muito favorável na percepção dos sujeitos. Repare-se que, à excepção do par de adjectivos Autoridade/Submissão, todos os outros obtiverem uma pontuação média acima de um. Os atributos mais apreciados foram a Credibilidade e a Sinceridade (ambos com uma média de 2) seguidos do Profissionalismo, da Empatia e da Sabedoria. Os dados apurados permitem assim constatar que a gesticulação lenta é um forte indicador da credibilidade do comunicador.

De uma forma geral, como podemos observar na representação gráfica, a gesticulação lenta e a Imagem transmitida pela mesma proporcionaram atitudes positivas aos sujeitos, o oposto do que se verificou nos diferenciais semânticos relativos à indumentária informal.

Gráfico 1: Atitudes no Grupo 1

Grupo 1

Fonte: Elaboração Própria.

À semelhança do grupo independente anterior, verificou-se nos sujeitos experimentais do Grupo 2 que a indumentária gerou uma atitude desfavorável, uma vez que todos os pares de adjectivos estão abaixo de zero. Tal como no Grupo 1, a indumentária foi, essencialmente, considerada como muito Flexível (com uma média total de -2.5), Improvisada (com uma média total de -2.2 e Amadora (com uma média total de -2). Para além destes adjectivos registarem a média de atitudes mais elevada, verificamos que ambos os grupos também ocupam as mesmas posições. Os pares de adjectivos menos pontuados foram os pares Atractiva versus Repelente e Ousada versus Discreta com uma média total de -0,6. As atitudes em relação à Imagem transmitida pela indumentária foram todas negativas e com pontuações superiores ao Grupo 1. Os valores extremos situam-se nos pares de adjectivos Seriedade versus Descontracção com uma média total de -2.7 e Maturidade versus Jovialidade com média total de -2.6, tal como se verificou no grupo anterior, embora neste ocupassem posições opostas. Seguiram-se atributos como a Diversão e a Irreverência com médias de -2.3 e -2 respectivamente. O valor mínimo foi registado no par de adjectivos Força versus Delicadeza, com uma pontuação neutra de -0.6. De realçar também que, o atributo Não credível apresenta uma média negativa em ambos os grupos. A indumentária informal é uma manifestação não-verbal que condiciona negativamente a percepção de credibilidade por parte dos sujeitos, dado que passamos de -1 para -1.4.

No Grupo 2, a gesticulação foi globalmente classificada pelos sujeitos como Exagerada (média total de -2.5), Imperativa (média total de -2.4) e Objectiva (média total de -2.2). Note-se que, no grupo anterior uma das características mais apreciadas foi a moderação da gesticulação, enquanto que neste grupo esse atributo assumiu uma conotação muito negativa. A mudança de estímulo, de lento para brusco, influenciou todos os restantes itens, tendo estes sido todos pontuados abaixo de zero. A Ênfase e a Compreensibilidade foram os menos pontuados, com médias negativas de -0.1 e -0.2 respectivamente, o que significa que a gestualidade rápida e instantânea peca pela falta de expressividade e clareza (com uma média total de -0.7). A negatividade das atitudes também se verificou na Imagem transmitida pela indumentária, o que era de prever tendo em conta os dados discutidos anteriormente. Os atributos mais apreciados foram a Agressividade (média total de -2.3) e a Hipocrisia (média total de -2.1). A falta de sinceridade aqui evidenciada é reforçada pela carência de credibilidade, que obteve um dos valores mais elevados com uma média total de -1.8. Neste sentido, podemos afirmar que a gesticulação brusca transmite uma impressão de desonestidade e falta de confiança. São de realçar também os pares de adjectivos Preparo versus Despreparo e Proximidade versus Distanciamento, ambos com médias totais de -2, seguidos da Empatia e Imaturidade, com médias de 1.9, o que nos permite afirmar que a gesticulação efectuada com movimentos bruscos estimula factores como a antipatia, indelicadeza, falta de profissionalismo e competência, pontuada com uma média total de -1.7.

O Grupo 2 foi de entre todos os grupos aquele que obteve uma atitude mais desfavorável, com todos os diferenciais semânticos pontuados abaixo de zero. A indumentária informal acompanhada de uma gesticulação brusca proporcionou um efeito negativo nos sujeitos (Gráfico 2).

Gráfico 2: Atitudes no Grupo 2

Grupo 2

Fonte: Elaboração Própria.

Os valores médios de atitudes mais elevadas no Grupo 3 relativamente à indumentária posicionaram-se nos pares de adjectivos Elegante versus Ordinária com uma média de 2.5 bem como o par Profissional versus Amadora com uma média de 2.2. De seguida, deparamo-nos com médias totais elevadas nos atributos Rígida (MT: 2.1), Perfeccionista e Idónea (MT: 2). Estes dados permitem-nos constatar que a indumentária formal é uma fonte de seriedade, sofisticação e poder, algo que não se constatou na indumentária informal, sendo geralmente descrita como Amadora, Irrelevante e Flexível. De entre a totalidade de pares de adjectivos, apenas o par Ousada versus Discreta obteve uma pontuação negativa com o valor de -0.4. No entanto, note-se que o adjectivo pontuado negativamente tem uma conotação positiva perante o carácter formal da indumentária.

Na opinião dos sujeitos experimentais, a gesticulação no Grupo 3 foi largamente descrita como Segura, Clara e Racional (com médias totais de 2.1 e de 2 respectivamente). De seguida, destacaram-se os atributos como a gestualidade Moderada (MT: 1.9), Informativa, Compreensível e Enfática (com médias totais de 1.8), sendo o oposto daquilo que se verificou no grupo anterior. De realçar ainda que, todos os pares de adjectivos foram pontuados positivamente e acima do valor 1, o que nos permite afirmar que, de facto, a gesticulação lenta teve uma atitude bastante favorável por parte dos indivíduos submetidos ao estímulo.

O diferencial semântico relativo à Imagem transmitida pela indumentária também indicou atitudes bastante favoráveis, vindo apenas reforçar os dados apurados na avaliação individual da indumentária. É de destacar o valor extremo para a Credibilidade (MT: 2.6) seguido de uma imagem Cuidada, Profissional e de Madura com médias de 2.5 e 2.3 respectivamente. Assim, os dados apurados permitem-nos reconhecer que a indumentária formal é um grande indicador de Seriedade, Respeitabilidade, Profissionalismo, e consequentemente de credibilidade.

No que respeita à Imagem comunicada pela gesticulação, também esta obteve valores positivos muito elevados, ao contrário do que se verificou nos grupos anteriores. À semelhança dos conjuntos anteriores, os pares de adjectivos mais apreciados foram, a Credibilidade e o Profissionalismo, juntando-se a Imagem de Coerência com médias totais de 2.2. A seguir, os atributos mais mencionados foram a Sabedoria, a Competência e a Sinceridade com médias iguais de 1.9. No extremo, o item menos pontuado foi a Delicadeza com o valor de 0.9. De entre os quatro, note-se que o Grupo 3 foi aquele pontuado mais favoravelmente, o que não deixa de ser conclusivo. No gráfico 3, podemos observar que, a gesticulação lenta acompanhada de uma indumentária formal gerou atitudes muito favoráveis por parte dos sujeitos, sendo esta combinatória a conjugação mais expressiva em termos de credibilidade.

Gráfico 3: Atitudes do Grupo 3

Grupo 3

Fonte: Elaboração Própria.

Por último, e à semelhança do grupo anterior, a indumentária no Grupo 4 obteve atitudes globalmente favoráveis, com valores máximos nos pares de adjectivos Perfeccionista versus Improvisada e Profissional versus Amadora, com médias de 2.1 e 2 respectivamente. Tanto no Grupo 3 como no Grupo 4 constatámos que, o Profissionalismo, Perfeccionismo e Elegância são as características mais evidenciadas em termos de atitudes. É de salientar ainda que, todos os itens foram pontuados acima de zero, com excepção do par de adjectivos Ousada versus Discreta, com o valor de -0.5.

As atitudes acerca da Imagem transmitida pela indumentária também são bastante favoráveis, atingindo valores mais elevados relativamente ao diferencial semântico anterior. Os atributos mais pontuados pelos sujeitos foram a Credibilidade e o Profissionalismo, ambos com médias totais de 2.3. Tal como no Grupo 3, a credibilidade foi o item mais evidenciado, ocupando a 1ª posição em ambos os grupos, o que nos permite mais uma vez apontar a indumentária formal como um factor determinante de credibilidade do comunicador. Seguiram-se a Maturidade, a Responsabilidade e a Imagem Cuidada. Por contra, o item menos pontuado foi a Coerência com o valor de 1, num intervalo entre -3 e 3. Deparamo-nos ainda com uma pontuação negativa no par de adjectivos Flexibilidade versus Rigidez (MT: -1,1), cujo valor constitui um aspecto positivo, tendo em conta que a Rigidez é uma característica apontada da indumentária formal.

Relativamente à gesticulação no Grupo 4, e tal como se constatou no Grupo 2, apresenta o seu valor extremo no par de adjectivos Moderada versus Exagerada, cujos valores são muito idênticos. De seguida, os mais apreciados foram os atributos Racional (MT: -2.3), Irrisória e Imperativa (ambas com MT: -2.1). Note-se que, no Grupo 2, o item Imperativa também foi um dos mais pontuados, com uma média um pouco superior.

O diferencial semântico relativo à Imagem transmitida pela gesticulação também indicou atitudes bastante desfavoráveis por parte dos sujeitos. À semelhança do Grupo 2, os atributos mais evidenciados foram a Agressividade com uma média total de -2.5, seguida da Hipocrisia com uma média total de -2.1. Logo a seguir apuramos o Despreparo e a Imaturidade com médias de -1.9, ocupando a 3ª posição. A credibilidade foi também pontuada negativamente (MT: -1,7), aliás muito idêntica à do Grupo 2, o que nos permite inferir que a gestualidade brusca gera uma percepção de pouca crença e fiabilidade por parte do receptor. A elevada pontuação da Hipocrisia, Imaturidade e da Incompetência (MT: -1,7) confirma este argumento. Por outro lado, devemos realçar ainda que, de entre os 12 itens apenas o par de adjectivos Autoridade versus Submissão foi pontuado positivamente com o valor neutro de 0.3. De uma forma global, o Grupo 4 registou atitudes positivas relativamente à indumentária formal, e mais uma vez, a gestualidade brusca foi pontuada desfavoravelmente como podemos verificar na próxima representação gráfica.

Gráfico 4: Atitudes no Grupo 4

Grupo 4

Fonte: Elaboração Própria

 

Terminada a apresentação dos dados relativamente aos diversos grupos independentes, iremos agora proceder a uma análise dos dados no âmbito das variáveis independentes.

3.2. Variáveis independentes

As variáveis independentes são aquelas que o investigador manipula para medir o seu efeito na variável dependente. Neste caso concreto, as variáveis independentes são a indumentária e a gesticulação e a variável dependente é a credibilidade do comunicador. Para medirmos as atitudes da indumentária, construímos dois diferenciais semânticos: um para realizarmos uma avaliação individual do estímulo e outro para obtermos uma avaliação conjunta. O mesmo procedimento metodológico foi aplicado à gesticulação na qualidade de variável independente. Neste sentido, e com o intuito de aprofundarmos a nossa análise dos dados, vamos abordar individualmente cada diferencial semântico numa perspectiva comparativa entre os vários grupos independentes. O objectivo é apurar as diferenças e semelhanças das atitudes relativamente às variáveis independentes em estudo.

 

3.3. Indumentária

Nos Grupos 1 e 2, onde os sujeitos foram submetidos a uma indumentária informal, as atitudes dos sujeitos foram desfavoráveis, registando-se na generalidade valores abaixo de zero. No entanto, embora o estímulo da indumentária tenha sido o mesmo nos dois grupos, registaram-se diferenças significativas na pontuação de determinados pares de adjectivos opostos. Os exemplos mais relevantes são: Moderna versus Tradicional (MT: 0.5 no Grupo 1 e MT: -1.2 no Grupo 2); Elegante versus Ordinária (MT: -0.3 no Grupo 1 e MT: -0.8 no Grupo 2); Original verus Convencional (com MT: -1.1 no Grupo 1 e MT: -1.8 no Grupo 2) e Ousada versus Discreta (MT: -0.1 no Grupo 1 e MT: -0.6 no Grupo 2). Ou seja, os sujeitos classificaram a indumentária como mais Tradicional, Ordinária, Convencional e Ousada no Grupo 2 do que no Grupo 1. Porém, note-se que, ao contrário do Grupo 1, o Grupo 2 foi exposto ao estímulo da gestualidade brusca, o que poderá ter influenciado  as atitudes dos sujeitos relativamente à indumentária. O aumento dos atributos Flexível, Ousada e Amadora vem também reforçar o nosso ponto de vista, uma vez que, o próprio movimento brusco também estimula estas características. Nos Grupos 3 e 4, as atitudes dos sujeitos relativamente à indumentária, foram bastante favoráveis. Tal como no nível de variação anterior – Indumentária Informal – também aqui nos deparamos com algumas diferenças consideráveis entre os grupos. Neste sentido, são de destacar os pares de adjectivos Moderna versus Tradicional (MT: 1.3 no Grupo 4  MT: 1.7 no Grupo 3); Elegante verus Ordinária (MT: 1.9 no Grupo 4 e MT: 2.5 no Grupo 3); Rígida versus Flexível (MT: 0.5 no Grupo 4 e 2.1 no Grupo 3) e Expressiva vesus Irrelevante (MT: 1.1 no Grupo 4 e MT: 1.9 no Grupo 3). Os sujeitos consideraram a indumentária mais Moderna, Elegante, Rígida e Expressiva quando ela esteve acompanhada de uma gesticulação lenta, do que acompanhada com a gesticulação brusca. De certa forma, a moderação da gestualidade acabou por impulsionar favoravelmente as atitudes dos sujeitos em relação à indumentária formal. Ainda assim, deparemo-nos com o par de adjectivos Original versus Convencional que, ao contrário da maioria dos atributos obteve valores superiores no Grupo 4. A indumentária formal foi descrita como mais original acompanhada de movimentos bruscos, do que conjugada com movimentos lentos.

 

3.4. Gesticulação

Nos Grupos 1 e 3, os diferenciais semânticos relativos à gesticulação apresentaram atitudes favoráveis. Não obstante, note-se que  os valores obtidos no Grupo 3 foram na generalidade superiores aos evidenciados no Grupo 1. Essa discrepância verificou-se acima de tudo nos atributos Explicativa (MT: 1.4 no Grupo 3 e MT: 0.7 no Grupo 1); Informativa (MT: 1.8 no Grupo 3 e MT: 0.3 no Grupo 1) e Discreta (MT: 2.3 no Grupo 1 e MT: 1 no Grupo 3). Ou seja, a Seriedade, o Profissionalismo e a Respeitabilidade comunicados pela indumentária formal impulsionaram, mesmo que indirectamente, os parâmetros avaliativos da gesticulação lenta. Nos Grupos 2 e 4, na genaralidade também se apurou uma diferença bastante acentuada em alguns pares de adjectivos. A gesticulação brusca apresentou atitudes mais desfavoráveis quando acompanhada de uma indumentária informal (presente no Grupo 2) do que quando conjugada com uma formal ( presente no Grupo 4). Os pares de adjectivos opostos ou bipolares que melhor o comprovam são: Explicativa versus Genérica (MT: -0.9 no Grupo 2 e MT: 0.3 no Grupo 4), Segura versus Insegura (MT: -0.3 no Grupo 2 e MT:0.5 no Grupo 4) e Informativa versus Objectiva (MT: -2.2 no Grupo 1 e MT: -0.3 no Grupo 4). Isto é, a gesticulação brusca foi pontuada como menos Genérica, Insegura e Objectiva no Grupo 4 do que no Grupo 2. Assim, verificámos que as atitudes dos sujeitos relativamente à gesticulação (lenta ou brusca) foram influenciadas pelo grau de formalidade da indumentária. Neste sentido, podemos afirmar que, quando a indumentária adoptou o nível formal, a gesticulação lenta obteve valores positivos muito expressivos (Grupo 3) e a gesticulação brusca apurou valores negativos, embora não tão significativos como no Grupo 4. Por sua vez, quando a indumentária foi de cariz informal, a  gesticulação lenta obteve valores positivos não tão expressivos, comparativamente aos do Grupo 3. Já a gesticulação brusca apresentou valores negativos mais elevados como foi apanágio do Grupo 2.

 

3.5. Imagem transmitida pela indumentária

Globalmente, no que respeita à Imagem transmitida pela indumentária, as atitudes dos sujeitos foram desfavoráveis nos Grupos 1 e 2, e favoráveis nos Grupos 3 e 4. Tal como nos diferenciais semânticos anteriores, também aqui se evidenciaram algumas diferenças que importam salientar. No Grupo 2, as médias totais dos atributos aumentaram comparativamente ao Grupo 1. Os aumentos mais significativos ocorreram nos pares de adjectivos Segurança versus Insegurança (com MT: -0,2 no Grupo 1 e MT: -1.5 no Grupo 2), Coerência versus Incoerência (com MT: -0.6 no Grupo 1 e MT: -1.5 no Grupo 2) e  Profissionalismo versus Diversão (com MT: -1.6 no Grupo 1 e MT: -2.3 no Grupo 2). Na opinião dos sujeitos experimentais, a Indumentária transmitiu uma Imagem de Segurança, de Incoerência e de Diversão muito superiores no Grupo 2. As Imagens de Descontração, Jovialidade, Não credibilidade e Descuido também aumentaram quando a indumentária informal foi acompanhada de uma gestualidade brusca. Os Grupos 3 e 4, ao contrário do que se tem verificado, não apresentaram valores muito divergentes. Para além de se constatar uma ligeira descida na maioria dos valores médios de atitudes no Grupo 4, estas diferenças não são muito consideráveis. Já os atributos Coerência (com MT: 1.5 no Grupo 3 e MT: 1 no Grupo 4) e Flexibilidade (com MT: 0.1 no Grupo 3 e MT: -1.1 no Grupo 4) foram os que apresentaram maior disparidade de valores. No entanto, repare-se que, a Imagem transmitida pela indumentária formal apresentou valores positivos mais elevados quando esteve acompanhada da gestualidade lenta, do que quando esteve conjugada com a gestualidade brusca. Por outro lado, a Imagem transmitida pela indumentária informal apurou valores negativos mais baixos quando acompanhada de uma gesticulação lenta, do que quando acompanhada com uma gesticulação brusca. Ou seja, também aqui é notória a influencia do nível de variação da gesticulação na análise conjunta da indumentária.

 

3.6. Imagem transmitida pela gesticulação

Por útimo, relativamente à Imagem transmitida pela gesticulação, podemos verificar que os valores médios de atitudes foram favoráveis nos Grupos 1 e 3, e desfavoráveis nos Grupos 2 e 4. O Grupo 1, submetido à indumentária informal e à  gesticulção lenta, apresentou valores positivos mais baixos à semelhança do Grupo 3, que foi submetido ao mesmo tipo de gesticulação, mas com uma indumentária formal. Os atributos que melhor exemplificam esta disparidade de valores são a Autoridade (com MT: -0.3 no Grupo  1 e  MT: 2.1 no Grupo 2) e a Coerência (com MT: 1.6 no Grupo 1 e MT: 2.2 no Grupo 3). Repare-se que, na opinião dos sujeitos do Grupo 3, a gesticulação lenta acompanhada de uma indumentária formal transmitiu uma Imagem de elevada autoridade, ao passo que os sujeitos do Grupo 1 consideraram ter sido uma Imagem de submissão ou neutra. À semelhança da autoridade, também a coerência apresentou valores relativamente superiores no terceiro grupo. Por contra, a Delicadeza foi o único iten que registou uma ligeira descida, comparativamente ao Grupo 1. No que respeita à Imagem transmitida pela gesticulação brusca, podemos verificar que os valores médios de atitudes foram mais desfavoráveis no Grupo 2 do que no Grupo 4. As diferenças mais expressivas verificaram-se nos pares de adjectivos Segurança versus Insegurança (com MT: -1.6 no Grupo 2 e MT: -0.9 no Grupo 1), Empatia versus Apatia (com MT: -1.9 no Grupo 2 e MT: -1.3 no Grupo 4) e Sabedoria versus Ignorância (com MT: -1.1 no Grupo 1 e MT: -0.,5 no Grupo 4). A gesticulação transmitiu uma Imagem de maior Insegurança, Apatia e Ignorância quando foi acompanhada pela indumentária informal, do que quando foi conjugada com a indumentária formal. Repare-se que, os valores da Insegurança e da Apatia apesar de negativos foram neutros no Grupo 4. O atributo Autoridade também registou uma ligeira diferença, tendo obtido um valor médio de -0.1 no Grupo 2 e 0.3 no Grupo 4. Neste sentido, podemos afirmar que a Sobriedade, Profissionalismo e Respeitabilidade, presentes na indumentária formal, influenciaram positivamente os parâmetros de avaliação conjunta da gesticulação e  a indumentária informal ajudou na descida dos valores relativos à Imagem transmitida pela gesticulação.

 

3.7. Efeitos colectivos

A determinação dos efeitos foi realizada através da soma das pontuações de todos os diferenciais semânticos. O somatório das pontuações dos sujeitos experimentais permite-nos apurar o valor colectivo das suas apreciações por grupo experimental, tendo em linha de conta os níveis de variação da combinatória de variáveis independentes a que foi submetido o sujeito. No âmbito desta investigação, consideramos como efeito positivo, negativo ou neutro, cujos somatórios das pontuações colectivas estão compreendidos entre os valores da Tabela 1. Definidos os intervalos dos efeitos por grupo experimental, realizamos a soma das pontuações colectivas para cada diferencial semântico e para cada grupo independente.

 

Tabela 1: intervalos definidores dos efeitos por grupo experimental

Efeito Positivo

Efeito Neutro

Efeito Negativo

Entre

[490 e 1470]

*[470 e 490]

Entre

[450 e -450]

*[451 e 489]

Entre

[-490 e -1470]

*[-470 e-489]

*Por se verificar um “buraco” na banda de variação tivemos que alargar os intervalos definidores dos efeitos

Fonte: Elaboração Própria.

Da observação da Tabela 2, podemos verificar que a indumentária informal acompanhada de uma gesticulação lenta (Grupo 1) obteve um efeito neutro na credibilidade do comunicador; a indumentária informal conjugada com uma gesticulação brusca (Grupo 2) apurou um efeito negativo na credibilidade do comunicador; por sua vez, a indumentária formal acompanhada de uma gesticulação lenta (Grupo 3) obteve um efeito positivo em termos de credibilidade e, por último, a indumentária formal conjugada com uma gesticulação brusca (Grupo 4) proporcionou um efeito neutro na credibilidade do comunicador.

Tabela 2: efeitos obtidos por grupo experimental

Diferenciais semânticos

Grupo 1

[II +GL]

Grupo2

[II + GB]

Grupo 3

[IF + GL]

Grupo 4

[IF + GB]

1- Avaliação individual:  induementária

-103

-145

153

122

2 – Avaliação individual: gesticulação

190

-191

224

-161

3- Avaliação conjunta: Imagem transmitida pela indumentária

-134

-192

243

205

4- Avaliação conjunta: Imagem transmitida pela gesticulação

180

-200

215

-172

Soma das pontuações dos diferenciais semânticos

133

-728

835

-6

Efeito obtido

Efeito Neutro

Efeito Negativo

Efeito Positivo

Efeito Neutro

Fonte: Elaboração Própria.

Da observação da Tabela 2, podemos verificar que a indumentária informal acompanhada de uma gesticulação lenta (Grupo 1) obteve um efeito neutro na credibilidade do comunicador; a indumentária informal conjugada com uma gesticulação brusca (Grupo 2) apurou um efeito negativo na credibilidade do comunicador; por sua vez, a indumentária formal acompanhada de uma gesticulação lenta (Grupo 3) obteve um efeito positivo em termos de credibilidade e, por último, a indumentária formal conjugada com uma gesticulação brusca (Grupo 4) proporcionou um efeito neutro na credibilidade do comunicador.

4. Discussão

Depois de apresentados e analisados os dados, podemos afirmar que a hipótese geral deste estudo se verifica, tendo sido possível verificar três das quatro hipóteses operativas.

Através da H1, foi possível verificar que a gestualidade lenta acompanhada de uma indumentária informal obteve um efeito neutro na credibilidade do comunicador. A amostra do Grupo 1 apresentou atitudes desfavoráveis relativamente à indumentária informal, classificando-a como Amadora, Flexível e Improvisada. Segundo os sujeitos experimentais ela transmitiu uma imagem de Descontracção, Jovialidade, Irreverência e Obediência. No entanto, o efeito negativo da indumentária informal foi atenuado pela gesticulação lenta, que foi descrita como Moderada, Discreta e Compreensível. Na opinião dos sujeitos ela transmitiu uma imagem de Credibilidade, Sinceridade, Profissionalismo, Empatia e Sabedoria. Ou seja, a moderação da gestualidade e os atributos por ela comunicados influenciaram as atitudes dos sujeitos relativamente à informalidade da indumentária.

A H2 permitiu-nos constatar que a indumentária informal (do tipo jeans, sweat e sapato desportivo) conjugada com uma gesticulação brusca proporcionou um efeito negativo em termos de credibilidade. Os sujeitos experimentais do Grupo 2 pontuaram negativamente quase todos os atributos relativos à gestualidade e à indumentária. Na percepção do Grupo 2 a indumentária informal foi tida consideravelmente como Flexível, Improvisada e Amadora, e transmitiu Imagens de Descontracção, Jovialidade, Diversão, Irreverência e de Não Credibilidade. Estas verificações permitem-nos constatar que, de facto, a indumentária do indivíduo denota informação, podendo dar indicações acerca dos seus interesses, personalidade, status, etc.. Em geral, a aparência e atractivo da pessoa influenciam as relações interpessoais e actuam como fortes indicadores na construção de uma imagem de credibilidade. Neste caso, a indumentária informal em vez de colaborar com a formação de uma imagem de credibilidade acabou por depor contra a mesma. Este aspecto está bem saliente na elevada pontuação de atributos como a Diversão, Jovialidade, Descontracção, Insucesso e Irreverência. O mesmo se apurou na gestualidade, onde as atitudes dos sujeitos foram notavelmente desfavoráveis. Neste trabalho, a gesticulação brusca foi considerada como Exagerada, Imperativa, Objectiva, Informe e Emocional e transmitiu Imagens de Agressividade, Hipocrisia, Despreparo, Imaturidade, entre outras, como o caso da Não-Credibilidade. Tal como a indumentária, os gestos utilizados pelo comunicador também dão informações sobre o seu carácter e personalidade, chegando por vezes a por em causa as percepções de confiança e fiabilidade por parte do interlocutor. Isto acontece por vezes quando as nossas palavras dizem uma coisa e os nossos gestos dizem outra, denunciando-nos em mensagens implícitas que não queremos desvendar. Tal como salienta Caetano (2009), o que se dá a conhecer aos olhos é muito mais marcante que o que somente se dá a conhecer aos ouvidos. Note-se que, neste estudo, a gestualidade brusca transmitiu imagens de Hipocrisia e Incoerência bastante assinaláveis levando-nos a afirmar que os gestos executados com demasiada rapidez podem por em causa a percepção de sinceridade e, consequentemente, a credibilidade do comunicador na óptica do receptor. Tal como referem Dorna e Argentin 1993), (…) la gestualidade juega un rol importante en la credibilidade del emisor. En efecto, la utilización reiterada de gestos no relacionados com el discurso (registro adaptador) ejerce una influencia perturbadora en la recepción del mensaje. Os movimentos corporais excessivos e incoerentes com a linguagem verbal podem actuar como fortes indicadores de ansiedade, reticência, stress e até mesmo mentira, sendo percepcionados pela audiência com desconfiança. Ora, quando a confiança é posta em causa é impossível haver geração de credibilidade.

Por sua vez, a H3 permitiu-nos verificar que a gestualidade lenta acompanhada de uma indumentária formal obteve um efeito positivo na credibilidade do comunicador. A amostra do Grupo 3 foi aquela que evidenciou atitudes mais favoráveis relativamente às variáveis em estudo.

A indumentária formal (do tipo terno preto, camisa branca e gravata escura) foi descrita pelos sujeitos experimentais como sendo Elegante, Profissional, Perfeccionista e Idónea. Na percepção da amostra, a indumentária transmitiu Imagens de Profissionalismo, Maturidade, Segurança, Autoridade, Sucesso, entre outras. A Imagem de Credibilidade foi a mais pontuada, o que nos permite afirmar que o grau de formalidade da indumentária é um forte indicador na construção da credibilidade do comunicador. O carácter formal da indumentária confere ao seu portador grande visibilidade, potenciando o seu atractivo. Por outro lado, comunica respeitabilidade, competência e seriedade, características que, por si só, potenciam a percepção de fiabilidade por parte do receptor da mensagem. Segundo Aquino (2011), as roupas estão directamente relacionadas com a imagem que o comunicador quer passar ao público. Se o emissor quiser ser levado a sério pela sua audiência, ele tem que ter noção de que a sua roupa deve complementar os próprios objectivos da comunicação. Assim sendo, é importante que o comunicador adopte uma indumentária conservadora e moderada, uma aparência séria e profissional para que possa ser considerado digno de confiança.

No Grupo 3, a gestualidade lenta foi apontada como Segura, Racional, Clara, Moderada, Enfática e Informativa. Perante a considerável pontuação destes atributos, rapidamente nos apercebemos que a gesticulação actuou como uma potencial forma de comunicação. Para além de ilustrar e reforçar o discurso verbal, também contribuiu para a transmissão de uma mensagem mais clara e unívoca. A gesticulação adoptada também chamou a atenção do público, tendo em linha de conta que foi descrita como Persuasiva e Congruente. Ou seja, o uso de gestos moderados e adequados aumentou o impacto da comunicação, ajudando as pessoas a reter maior percentagem de informação. Como indica Rei (2005), os gestos são como uma arma de dois gumes: por um lado, valorizam a comunicação se forem bem feitos; por outro, podem comprometer a sua eficácia, se forem mal feitos, exagerados ou excessivos. Na visão de Rei (2005), para que a gesticulação seja considerada eficaz ela tem que possuir alguns requisitos, nomeadamente: a naturalidade, sobriedade, harmonia, variedade e calma. A nível da Imagem transmitida pela gestualidade, os sujeitos experimentais evidenciaram atributos como o Profissionalismo, a Responsabilidade, Autoridade e Delicadeza. Note-se ainda que, a Sinceridade, Coerência e Credibilidade foram consideravelmente assinaladas, ao contrário do que se verificou na gesticulação brusca. Aqui, os gestos demonstraram estar em harmonia com a mensagem falada, complementando-a e dando-lhe mais relevo. A existência de coerência é muito importante, uma vez que permite ao receptor compreender e validar aquilo que está a ouvir. Por sua vez, o emissor, ao obter aceitação por parte do público, está a conquistar a sua confiança.

Por último, na H4 tentámos verificar se a indumentária formal acompanhada de uma gesticulação brusca proporcionava um efeito negativo em termos de credibilidade do comunicador. No entanto, da análise dos dados podemos constatar que esta hipótese não se verificou e que obteve um efeito neutro. O facto de a indumentária formal não ter sido pontuada tão favoravelmente como foi no Grupo 3, e o facto de a gesticulação brusca não ter sido classificada tão desfavoravelmente como se evidenciou no Grupo 2, podem ter sido duas das razões para obtermos o efeito neutro. Este aspecto demonstra que as variáveis independentes estão associadas e que se influenciam de forma mútua, mesmo que indirectamente, o que é compreensível, uma vez que actuam em simultâneo. Isto significa que, o nível de variação da gestualidade influencia as percepções acerca da indumentária e, por sua vez, o grau de formalidade afecta as atitudes relativamente à gesticulação. Tendo em conta os resultados obtidos nas outras combinatórias, podemos afirmar que no Grupo 4 a indumentária formal amenizou os efeitos negativos da gestualidade brusca e esta afectou a percepção dos sujeitos relativamente à indumentária.

 

5. Conclusões

O corpo tem uma linguagem própria, uma linguagem que, por sua vez, é silenciosa, mas tão, ou mais, expressiva do que as palavras. Através das expressões do rosto, olhares, gestos, posturas, vestuário, etc. o ser humano transmite inúmeras informações acerca de si mesmo e da sua hipotética situação económica, cultural, preferências, ideologias, atitudes e estilos de vida.

As manifestações não-verbais são também determinantes no processo de construção da credibilidade do comunicador. É através do seu comportamento e da sua conduta que o receptor vai verificar se ele é, ou não,  digno de crença e confiança. Como foi possível perceber através deste estudo, a indumentária e a gesticulação demonstraram ser dois poderosos canais de comunicação não-verbal que influenciam e determinam a percepção da crebilidade por parte do receptor da mensagem. Demonstrou-se que, a gestualidade lenta acompanhada de uma indumentária formal tem um efeito positivo na credibilidade do comunicador, enquanto que, a gesticulação brusca conjugada com uma indumentária informal gerou um efeito negativo em termos de credibilidade.

A indumentária comunica através das cores, formas, texturas das roupas, entre outros componentes que possam ser significativos. O tipo de tecido, o corte, a cor podem dizer muito acerca de um indivíduo e do mundo em que vivem. Por outro lado, cerca de 95% da primeira impressão que causamos é proporcionada pelas roupas, uma vez que elas cobrem 95% do nosso corpo.  Assim sendo, a indumentária é considerada crucial para a formação da primeira impressão do indivíduo e respectiva imagem. No presente estudo podemos verificar que o grau de formalidade é decisivo na percepção de fiabilidade e confiança por parte dos sujeitos experimentais. As amostras dos Grupos 1 e 2, ambas submetidas a uma indumentária informal, evidenciaram atitudes negativas em termos de credibilidade. Já as amostras dos Grupos 3 e 4, ambas submetidas a uma indumentária formal, demonstraram apreciações favoráveis. Estes resultados revelaram-se naturais, tendo em conta que a indumentária informal transmitiu Imagens de Jovialidade, Diversão, Descontração, Irreverênica e Insucesso, enquanto que a indumentária formal comunicou Imagens de Seriedade, Profissionalismo, Maturidade, Sucesso e Reverência. Neste sentido, podemos afirmar que, o caractér formal da indumentária projectou ao comunicador um subtexto de inteligência, competência, respeitabilidade e confiança. Ou seja, a indumentária formal contribuiu para a construção de uma imagem de credibilidade, ao contrário da indumentária informal, que acabou por depor contra a mesma. Estar bem vestido é, asssim, fundamental para inspirar confiança, prestígio e respeitabilidade.

À semelhança da indumentária, a gestualidade também demonstrou ser muito importante no processo de construção da credibilidade do comunicador. Os resultados obtidos demonstraram que a gesticulação lenta gerou percepções de Delicadeza, Profissionalismo, Segurança, Coerência, Empatia e Sabedoria.  A realização de gestos moderados e coerentes enriqueceu a mensagem do sujeito falante e contribuiu para a percepção de uma imagem de competência e confiabilidade. Não obstante, confirmou-se que a gesticulação brusca gera uma percepção negativa em termos de credibilidade. Na opinião dos sujeitos experimentais ela transmitiu Imagens de Agressividade, Imaturidade, Insegurança, Hipocrisia, Incoerência e Distanciamento. Ou seja, gerou a percepção de não credibilidade e falta de confiança e sinceridade. O uso de gestos nervosos, atrapalhados e excessivos denuncia falta de concentração e rigor pessoais. Ainda, no presente estudo confirmou-se que a gestualidade lenta acompanhada de uma indumentária informal gera um efeito neutro na credibilidade do comunicador. Não obstante, não conseguimos validar a última hipótese de investigação. Verificamos que, a gesticulação brusca conjugada com a indumentária formal em vez de gerar um efeito positivo em termos de credibilidade gerou um efeito neutro.


 

 

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AUTORES

RIBEIRO, Maria de Fátima

(Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro)

fatimamouraribeiro@gmail.com

 

MEIRINHOS, Galvão

(Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro)

gsm@utad.pt

 

 

gsm

Licenciado em Marketing, licenciado em Publicidade e Relações Públicas, Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Barcelona. Desenvolveu, também, o seu percurso profissional no mundo das empresas, sendo, entre 2004 e 2007, diretor de comunicação da DELAUBE SARL, empresa especializada no desenvolvimento de projetos imobiliários em França.

Desde 2009, é diretor dos ciclos de estudos em ciências da comunicação. Em 2011, passou a ser representante da UTAD no Centro de Estudos e Investigação de Segurança e Defesa de Trás-os-Montes e Alto Douro. Já em 2012, iniciou os seus trabalhos de pós-doutoramento na área da eficácia comunicativa na Universidade de Vigo.

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