Os ícones informáticos como mediadores e instrumentos de produção

VI SOPCOM – 16 e 17 Abril 2009 | Universidade Lusófono – Lisboa | Painel Imagem e Cultura Visual

 SUMÁRIO

A presente investigação reflecte sobre a realidade dos ícones informáticos enquanto agentes de informação e ferramentas de trabalho nos ambientes mediatizados por computador. No plano da concepção gráfica dos ícones informáticos, o criador utiliza uma série de recursos visuais e verbais, de forma a obter uma simplificação visual na esperança de ser compreendida pela imensa maioria, e uma simplificação funcional dos processos de operatividade das aplicações informáticas.

 

Um dos exemplos clássicos de simplificação visual e funcional é o interface gráfico apresentado em 1984 nos primeiros Apple Macintosh, cuja gramática visual era extremamente simples e inteligível, sendo uma filosofia diametralmente oposta ao MS-DOS que corria nos computadores compatíveis IBM. Os ambientes gráficos mais populares da actualidade, os sistemas operativos Windows e Macintosh, da Microsoft Corporation e da Apple Inc. respectivamente, são autênticos ecossistemas iconográficos, uma vez que nos relacionamos numa sessão de trabalho permanentemente com ícones informáticos.

O aparecimento do Apple Macintosh no mercado em 1984 deu início à aventura iconográfica nos interface gráficos dos computadores. O rosto sorridente do ícone de arranque do sistema era o sinal do correcto carregamento em memória do sistema operativo.

Os primeiros Macintosh eram máquinas integradas, sui generis para a época, dado que a maioria dos computadores compatíveis IBM eram e são compostos por elementos modulares tais como o monitor, a unidade central, os cabos, etc. Em 1998, o lançamento do Imac revitalizou a Apple, mantendo no modelo o mesmo conceito de máquina compacta e facilmente transportável. Inclusivamente, neste modelo, o arranque do sistema era mais uma vez representado pelo ícone de representação do computador Macintosh com um rosto sorridente.

mac seFigura nº1 – Apple Macintosh

O ambiente de trabalho, dos computadores Macintosh de então, representava o ambiente convencional do escritório, onde constatávamos a existência de várias metáforas visuais como a pasta, o documento, o relógio, o caixote do lixo, entre muitas outras. A aplicação MacPaint foi lançada com os primeiros computadores Macintosh. Enquanto editor de bitmaps oferecia a possibilidade de desenhar a preto e branco mediante um conjunto de ícones que constituíam autênticas ferramentas de trabalho (ver figura nº2), tais como o laço, o lápis, balde de pintura, a borracha, etc.

 

macpaint

 

Figura nº2 – Ícones de trabalho da aplicação MacPaint

Na época, estes ícones de trabalho pareciam estranhos, mas com pequenos retoques, estas realidades gráficas são todavia utilizadas na maior parte das aplicações de desenho vectorial e de tratamento de imagem como no Adobe Photoshop, Fireworks, Illustrator, Indesign, entre muitas outras.

Na generalidade, os ícones representam objectos simples, e até por vezes antiquados, de maneira a que o maior número de utilizadores identifiquem, reconheçam e compreendam o seu significado. A título de exemplo, podemos enunciar, tanto no Windows como no MacOs, a lupa transmite o significado da ampliação visual; a mão permite a deslocação de um objecto no ecrã; no Windows, o relógio de areia, e no MacOs, o relógio de pulso representa um tempo de espera, etc. Por isso, a construção de ícones é bem mais complexa que a imensa maioria pensa, dado que devem representar o tipo de aplicações e a natureza das ferramentas e soluções oferecidas pelos programas informáticos. Algumas vezes, a representação da natureza da aplicação é tão complexa que obriga o designer a afastar-se da norma básica da simplicidade gráfico-visual (ver figura nº3). Um bom exemplo disso, é o trabalho realizado por Neville Brody quando concebeu uma série de ícones para o universo das aplicações da Macromedia.

nevileFigura nº3 – Ícones de aplicação de Neville Brody – Flash, DreamWeaver e Fireworks da Macromedia.

Ainda sobre este assunto, é curioso que os ícones das aplicações mudaram quando a Adobe absorveu a Macromedia, mantendo o atributo da cor similar na maior parte dos novos ícones de aplicações (ver figura nº4).

adobe

Figura nº4 – Ícones de aplicação de Neville Brody – Flash, DreamWeaver e Fireworks da Adobe.

Durante muitos anos, foram aparecendo nas aplicações uma quantidade importante de ícones sem qualquer relação visual directa com a função (ver figura nº5), contudo progressivamente foram-se estandardizando e hoje compreendemos claramente o seu significado, como por exemplo o ícone de recortar, o conta-gotas; a varinha mágica, etc. Por outro lado, temos também disponíveis na maioria das aplicações uma série de ícones com uma função óbvia como a edição de texto; a linha; a lupa, entre outros (ver figura nº6).

iconesdetrabalhoFigura nº5 – Ícones de trabalho sem qualquer relação com os objectos do mundo real.

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Figura nº6 – Ícones de trabalho com funções explícitas.

Em termos de concepção iconográfica, a maior parte das aplicações informáticas actuais são herdeiras, em alguma medida, do primeiro editor de mapas de bits – o MacPaint. Actualmente, as aplicações gráficas apresentam toda uma série de paletas com instrumentos para a concepção e composição visual. Por exemplo, no Adobe Photoshop, a paleta de ferramentas apresenta um conjunto importante de intervenções que podemos levar a cabo mediante uma linguagem iconográfica própria, sem que isso queira dizer que os ícones são proprietários, dado que uma boa parte dessas ferramentas já existia no MacPaint. Como podemos observar na paleta de ferramentas do Adobe Photoshop (ver na figura nº7), existem ferramentas de seleccionar, desenhar, (re)cortar, pintar, carimbar, apagar, restaurar, desfocar, editar texto, anotar, retirar amostras, mover, ampliar, entre outras.

paletedeferramentas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura nº7 – Paleta de ferramentas do Adobe Photoshop CS.

gsm

Licenciado em Marketing, licenciado em Publicidade e Relações Públicas, Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Barcelona. Desenvolveu, também, o seu percurso profissional no mundo das empresas, sendo, entre 2004 e 2007, diretor de comunicação da DELAUBE SARL, empresa especializada no desenvolvimento de projetos imobiliários em França.

Desde 2009, é diretor dos ciclos de estudos em ciências da comunicação. Em 2011, passou a ser representante da UTAD no Centro de Estudos e Investigação de Segurança e Defesa de Trás-os-Montes e Alto Douro. Já em 2012, iniciou os seus trabalhos de pós-doutoramento na área da eficácia comunicativa na Universidade de Vigo.

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